O Único Caminho é a Frente

by Lionuki

/
  • Streaming + Download

    Includes high-quality download in MP3, FLAC and more. Paying supporters also get unlimited streaming via the free Bandcamp app.
    Purchasable with gift card

      name your price

     

1.
a nova era 02:46
2.
pitu 03:51
3.
2X19 03:42
4.
5.
6.
eeeee ee eee 06:19
7.
estranhos 03:17
8.
9.

about

Maybe it was inevitable that Dionysian Industrial Complex would be offered, and enthusiastically accept, a vaporwave concept album about Posadists: the extreme Trotskyite sect turned internet meme factory, notorious for their belief in Communist UFOs, the necessity of nuclear war, weightless birth research and human-dolphin communication.

Vaporwave, and its cosy but uncanny British cousin, "hauntology" are genres that arise from a matrix of technological factors: laptops with DAWs and cheap sampling, the rich memeosphere of social media, the geological accretion of layers of recorded musical history available for plundering. And a new wave of musicians ready to engage it.

But how might this confluence of forces play out in Brazil? In 2019, "nostalgia" was perhaps a dangerous and ambiguous material to work with. The country had succumbed to the late 2010s wave of right-wing populism, social media fuelled division and historical revisionism. The government openly praises the last military dictatorship, and overtly threatens would-be opponents and protesters with a return of AI-5, the dictatorship's decree that illegalized effective political opposition.

Lionuki's "O Único Caminho É A Frente" gives us a glimpse of the artistic outcome of the techno-cultural milieu grappling with the pessimism of contemporary politics. It calls up the memories of a guerilla revolutionary movement that hardly was, but which has since been reinvented as a cypher for the meme age. Posadism gives old-skool communism a cute new-agey makeover. A technicolour dream of flying saucers and dolphin comrades; a messianic leader who is half Che Guevara, half John Lilly (www.johnclilly.com/hub.html); an ultimate rapture of ETs flying down to save us from capital.

At a time where it's easier to imagine the end of the world than the end of capitalism, it is perhaps easier to embrace a communism of jokey memes about nuclear apocalypse than to confront the challenge of building a more serious left-wing consciousness among a fractured and casualized workforce and toxic identity politics. And this may be the greatest pessimism of all. But in an age when the alt.right march under the banner of Pepe, the Frog and embrace the flat-earth, maybe politics is doomed to become a game between story-tellers, vying to produce the most outrageously compelling fictions? To quote Robert Anton Wilson: "The border between the Real and the Unreal is not fixed, but just marks the last place where rival gangs of shamans fought each other to a standstill."

All of which is very intellectually stimulating and entertaining to think about. But how does the music sound?

Fortunately, the most striking thing is that O Único Caminho É A Frente ("The only way is forward") is just sonically good fun. Jolly housey beats. Lovely melodic touches. Dubbed out samples of traditional Brazilian music. Its musical touch-point is the 90s dawn of electronic dance culture. Invoking one of those early free-ranging ambient / techno DJ voyages by the likes of The Future Sound of London, The Orb or Coldcut. At times it invokes Amorphous Androgynous's Tales of Ephidrina, FSOL's Lifeforms or The KLF's Chill Out. With an extra layer of vaporous reverb.

This is an album of strong nostalgia for the techno-optimism of that era, from people who were too young to be there.

But it's also knowingly contemporary. There's lurking tragic knowledge that the hyperactive day-glo optimism of this lost era was doomed to fade. Everything here is sunset colours. Rosy pinks, oranges and aquamarine and sapphire blues.

Everything here reminds you of something else. Everything here IS something else. There's a nonchalantly omniverous anthropophagy, as Lionuki casually stir Brazilian folk music and Anime soundtracks into their pot. There are sinister whispers and bursts of rockier riffs and bass grooves on "dias impossiveis 余波". The gorgeous "eeeee ee eee", plunges us into communion with the dolphins through erotically vocoded murmurs and rubbery 303 bass which are then topped with twinkling Rhodes-like arpeggios until a sudden orgasm of synth sweep, ushers in a drum'n'bassish beat that might have starred on Plaid's Double Figure.

"estranhos" is a come-down, cascades of downward scales, which quickly picks itself back up again on an awkward skittering railroad of FM bass. Before falling through bitcrushed and wah-wahed clouds into the intense pulse of "protetores da poeira estelar" (stardust protectors) that is quickly invaded by a disintegrating forro singer.

And we collapse into the final, grim denouement of our journey. The irony drenched "completa felicidade", a sound track of waiting for the nuclear bombs to fall as the album collapses and this wild ride in the time-machine fuelled by regret hits its desperate end.

==========

Talvez fosse inevitável que o Dionysian Industrial Complex fosse oferecido, e entusiasticamente aceitasse, um álbum conceitual de vaporwave sobre Posadistas: o segmento extremo trotskista que virou uma fábrica de memes de internet, famoso por suas crenças em OVNIs Comunistas, necessidade de guerra nuclear, pesquisa de gravidez em gravidade zero e comunicação entre humanos e golfinhos.

Vaporwave, e seu primo inglês acolhedor mas meio sinistro "hauntology", são gêneros de música que surgem de uma mistura de fatores tecnológicos: laptops com editores de áudio e sampleadores baratos, a rica memesfera das mídias sociais, o crescimento de camadas geológicas de histórico de material musical disponível para pilhagem. E uma nova geração de músicos prontos para se engajarem nisso.

Mas no que essa junção de forças pode dar no Brasil? Em 2019, "nostalgia" foi talvez um material perigoso e ambíguo para se trabalhar. O país cedeu a movimentos populistas de extrema-direita do final de 2010, divisionismo alimentado por mídias sociais e revisionismo histórico. O governo abertamente aplaude a ditadura militar de 64, e ameaça oponentes políticos com um retorno do AI-5, o decreto da ditadura que tornou ilegal qualquer oposição política efetiva.

"O Único Caminho É A Frente" de Lionuki nos dá um breve olhar do resultado artístico desse ambiente techno-cultural encarcerador com o pessimismo da política contemporânea. O álbum evoca memórias de um movimento revolucionário de guerrilha que mal existiu, mas que foi reinventado como um código para a era dos memes. Posadismo dá ao comunismo das antigas uma roupagem fofa meio new-age. Um sonho technicolor de OVNIs e camaradas golfinhos; um líder messiânico meio Che Guevara, meio John Lilly (www.johnclilly.com/hub.html); o arrebatamento máximo com ETs vindo nos salvar do capital.

Num tempo onde é mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo, talvez seja mais fácil abraçar um comunismo de memes piadistas sobre o apocalipse nuclear, do que confrontar o desafio de construir uma consciência de esquerda mais séria em uma força de trabalho casual e fraturada, e políticas identitárias tóxicas. E esse pode ser o maior pessimismo de todos. Mas numa era onde a extrema direita marcha sob a bandeira do Sapo Pepe e abraça o terraplanismo, estaria, talvez, a política condenada a se tornar um jogo entre contadores de histórias, competindo para produzir as ficções mais atraentes e absurdas? Citando Robert Anton Wilson: "O limite entre o Real e o Irreal não está fixo, apenas marca o último ponto onde gangues rivais de xamãs se enfrentaram até chegarem a um impasse".

Tudo isso é bastante estimulante para o intelecto e divertido de ficar pensando sobre. Mas como soa a música?

Felizmente, a coisa mais notável é que "O Único Caminho É A Frente" é boa diversão sonora. Batidas felizes de house, toques melódicos adoráveis, samples de MPB ecoando como dub ou dancehall. Seu ponto de contato musical é o alvorecer da cultura de dance music dos anos 90, invocando aquelas viagens livres de DJs de techno / ambiente, tipo The Future Sound of London, The Orb ou Coldcut. Às vezes lembra Tales of Ephidrina de Amorphous Androgynous, Lifeforms de FSOL, ou Chill Out de The KLF. Com uma camada extra de reverb vaporoso.

Esse é um album forte na nostalgia pelo techno-otimismo daquela era, feito por gente jovem demais para terem estado lá.

Mas é também intencionalmente contemporâneo. Existe um conhecimento trágico latente de que o otimismo fluorescente hiperativo dessa era estava destinado a desaparecer. Tudo aqui é cor de pôr-do-sol. Rosa-choque, laranja, água-marinha e azul-safira.

Tudo aqui também te lembra de alguma outra coisa. Tudo aqui É alguma outra coisa. Existe uma antropofagia onívora casual quando Lionuki fortuitamente mistura MPB e trilhas sonoras de anime no seu pote. Há sussurros sinistros e surtos de riffs roqueiros e linhas de baixos em "dias impossiveis 余波". O maravilhoso "eeeee ee eee" nos mergulha em comunhão com os golfinhos através de murmúrios em vocoders eroticamente manipulados com baixos 303 borrachudos, que, então, são cobertos com arpejos de Rhodes cintilantes, até que um repentino orgasmo de sintetizadores sweep chama uma batida DnB que poderia ter estrelado o álbum Double Figure de Plaid.

"estranhos" é um colapso em cascatas de escalas descendentes, que rapidamente se levanta num trilho tortuoso de baixos FM. Antes de cair através de nuvens de bitcrush e wah-wah no pulso intenso de "protetores da poeira estelar", que é rapidamente invadido por um cantor de forró desintegrando.

E desabamos no sombrio ato final de nossa jornada. "completa felicidade" é embebido em ironia, uma trilha sonora para se esperar pelas bombas nucleares caírem, enquanto o álbum encerra e essa montanha-russa na máquina do tempo movida a arrependimento chega ao seu final desesperado.

credits

released March 29, 2020

Lionuki (soundcloud.com/lionuki)

license

Some rights reserved. Please refer to individual track pages for license info.

tags

about

Dionysian Industrial Complex Brasília, Brazil

Dionysian Industrial Complex is a new netlabel, based in Brasília. We focus on experimental beauty (or beautiful experimentalism), devotional noise and techno-shamanism. From local artists and international friends.

----

Dionysian Industrial Complex é um selo virtual de
música experimental eletrônica em Brasília.

dionysian-industrial-complex.net
... more

contact / help

Contact Dionysian Industrial Complex

Streaming and
Download help

Report this album or account

If you like O Único Caminho é a Frente, you may also like: